Casos de Estudo·21 Jul 2026·7 min de leitura

Caso de Estudo: Sóçe by Mauro Loureiro — Filme Gastronómico em Setúbal

Por Daniel Lopes

Caso de Estudo: Sóçe by Mauro Loureiro — Filme Gastronómico em Setúbal

# Caso de Estudo: Sóçe by Mauro Loureiro — Filme Gastronómico em Setúbal

O cliente

O Sóçe é o restaurante do Chef Mauro Loureiro em Setúbal — um nome com presença crescente na televisão portuguesa e na gastronomia do país. O restaurante tem uma identidade clara: cozinha portuguesa contemporânea, ingredientes locais, técnica rigorosa. Mauro Loureiro não é apenas um cozinheiro — é um narrador de histórias através dos pratos.

Para a Beyond Focus, este projecto representou a primeira incursão no mundo da gastronomia. Um sector onde a imagem é tudo, onde o produto tem segundos para criar apetite, e onde a produção tem de corresponder ao nível de exigência do próprio chef.

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O briefing

O pedido era específico: documentar um prato de bacalhau — a ideia, o processo na cozinha, a apresentação final. Não um vídeo de menu genérico. Um filme sobre o processo criativo de um chef — do conceito ao prato.

Esta especificidade do briefing foi o que tornou o projecto interessante. Em vez de documentar "o restaurante", documentávamos uma narrativa: como nasce um prato.

Objectivos definidos: 1. Mostrar o processo completo de criação — ingredientes, técnica, montagem 2. Capturar a identidade do Chef Mauro Loureiro — a precisão, a atenção ao detalhe, o pensamento por trás de cada elemento 3. Mostrar o ambiente do restaurante como contexto, não como tema central 4. Criar um filme que funcionasse como peça de comunicação autónoma — não apenas como publicidade do restaurante

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As decisões criativas

### Food film vs. food porn

Existe uma distinção importante em vídeo gastronómico: food film conta uma história; food porn mostra imagens apelativas sem narrativa. Decidimos desde o início que queríamos o primeiro.

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A diferença na prática: um food porn mostra o bacalhau em close-up com luz dourada e música emocionante. Um food film mostra as mãos do chef a trabalhar, o vapor a sair da frigideira, o momento de decisão sobre o sal, e depois o prato finalizado. O espectador percebe o prato — não apenas que tem bom aspecto.

### A estrutura narrativa

Organizámos o filme em três actos: 1. O conceito — o chef a falar sobre a inspiração para o prato (brevemente, sem entrevista formal — pensamento em voz alta durante o processo) 2. A cozinha — o processo de preparação, sem cortes de montagem que saltam passos. A sequência tem de ser inteligível 3. A apresentação — o prato finalizado no ambiente do restaurante

### Luz em ambiente de cozinha

Cozinhas de restaurante têm iluminação funcional — eficiente para trabalhar, raramente apelativa para câmara. A solução: trabalhámos com a iluminação existente como base e adicionámos um único painel LED de cor quente posicionado de forma a criar direcção de luz sem alterar o ambiente natural da cozinha.

O objectivo era que o espectador sentisse a cozinha como é — não como um estúdio decorado.

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A produção

### Equipa e equipamento

Para um projecto de food film em cozinha de restaurante, equipa mínima é obrigatória. Cozinhas são espaços pequenos, quentes, com movimento contínuo. Uma equipa de quatro pessoas tornaria o espaço impraticável.

Produzimos com dois: director de fotografia + assistente de produção. O DP operou câmara e gerindo a luz; o assistente gerenciou continuidade de planos e coordenou com o chef os momentos de captação.

Câmara: Sony FX3 — compacta o suficiente para trabalhar em espaço restrito, com excelente performance de cor natural em ISO elevado para interiores.

Lentes: 50mm f/1.4 para planos de rosto e ambiente (profundidade de campo que separa o chef do fundo), 90mm macro para close-ups de ingredientes e técnica (sem paralaxe de distorção).

### Trabalhar com o chef

O maior desafio de food film não é técnico — é humano. Um chef no seu elemento está a trabalhar, não a actuar. A câmara tem de seguir o ritmo da cozinha, não impor o seu próprio ritmo.

Fizemos uma reunião prévia com o Mauro para alinhar os momentos de captação — não para ensaiar, mas para perceber a sequência do processo. No dia, não dirigimos — observámos e capturámos. O chef trabalhou como trabalharia normalmente; nós encontrámos os ângulos certos para cada momento.

Este approach tem uma desvantagem: perdes controlo total sobre o que acontece. Tem uma vantagem muito maior: o resultado é real.

### Os detalhes que fazem a diferença

Close-ups de mãos: as mãos de um chef são o instrumento principal. Capturámos os momentos de decisão — a pitada de sal, o ajuste final na montagem, o gesto de empratar. Estes planos são o coração emocional do filme.

Som ambiente: o som de uma cozinha é parte da experiência. A frigideira, a faca na tábua, o silêncio de concentração antes de empratar. Capturámos tudo com microfone boom sobre a área de trabalho, e estes sons foram determinantes na edição.

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Pós-produção

### Ritmo de edição para food film

O erro mais comum em food film é o ritmo demasiado acelerado — cortes rápidos que mostram tudo mas não deixam o espectador absorver nada. Optámos por um ritmo mais lento do que um spot comercial convencional — cada plano tem tempo suficiente para criar imagem mental.

A música foi seleccionada para complementar, não para dominar. Instrumental de guitarra portuguesa contemporânea — contexto cultural claro, sem ser literalista.

### Correcção de cor para comida

Comida tem uma gama de cores específica onde a percepção de apetência é altamente sensível. Correcção errada — demasiado verde, azul, ou frio — torna a comida pouco apelativa mesmo que tecnicamente correcta. Trabalhámos a grade para preservar os laranjas e dourados naturais do bacalhau confitado, a frescura das ervas, a profundidade do molho.

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O resultado e o que aprendemos

O filme ficou bem. O Sóçe usou-o activamente nas redes sociais e no site — e para a Beyond Focus abriu a porta para mais trabalho gastronómico.

O que aprendemos sobre food film: - A história tem de existir antes de ligar a câmara. Um prato sem narrativa é apenas um prato bonito. - Mínimo de equipa, máximo de qualidade. Em espaços pequenos com pessoas reais a trabalhar, o melhor resultado vem de equipa discreta e preparada. - O som é tão importante como a imagem. A experiência de comer é multimodal — o filme que a captura também tem de ser.

Para saber mais sobre vídeo para o sector da restauração, lê o guia de video marketing para restauração e sector alimentar e o guia completo de produção audiovisual em Portugal.

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